ILHA DE MOÇAMBIQUE

Saí da Ilha às 5h45 da manhã. A chapa para Nacala, fiel às suas tradições, andou às voltas por Macuti à espera de encher. E eu, sem pressa, fui-me despedindo dos lugares que, sem dar conta, já sentia como meus: a banca das regueifas a 5 meticais, as papaias e bananas compradas pelo caminho, os ovos, o café e as ruas que tantas vezes percorri de bicicleta.
Esperei mais de 15 anos para conhecer a Ilha de Moçambique e ela não me desiludiu. Mas também não era nada do que eu imaginava.
Aqui há poucos turistas. A maioria da população é muçulmana e a vida segue um ritmo próprio. Na Cidade de Pedra, os edifícios coloniais e árabes tiram-nos o fôlego e lembram-nos, a cada esquina, porque este lugar é Património Mundial da UNESCO.
Na Ilha não há pressa. O tempo abranda. Só parece acelerar quando há futebol ao domingo às 16h ou nos dias de mercado, às segundas e quintas-feiras.
Tenho um fascínio por ilhas perdidas no fim do mundo, por lugares onde tudo é mais difícil e, por isso mesmo, mais autêntico e intocável. A Ilha de Moçambique está cheia de história, de silêncios e de vidas que nos obrigam a desacelerar.
E talvez seja esse o seu maior encanto: chegas a pensar que vais descobrir uma ilha… e acabas por descobrir uma forma diferente de estar no mundo. ❤️
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