SÃO TOMÉ E PRINCIPE | EQUADOR

a terra do leve-leve onde me tornei wôdu

Se a água da nascente é pura, o rio a desaguar na foz mais rico é. Ao longo do seu trajeto, vai absorvendo compostos e, passo-a-passo torna-se mais complexo. O mesmo acontece ao longo da vida, com o correr das correntes que nos impelem a adquirimos maturidade e sabedoria, permitindo-nos chegar a um estado sereno e contemplativo. 

O evoluir como seres humanos refletindo sobre a essência do ser e o que de mais importante tiramos da vida. Isto sem pressas, isto leve-leve.

Esta maturidade proveniente da experiência é a ideia latente na palavra Wôdu, na língua forro. E foi em S. Tomé que a conheci, e se existem palavras que transmitem ideias que mesmo antes de as termos conhecido, achamos que sempre estiveram ali connosco, Wôdu é uma delas.

A ILHA

A ilha de São Tomé, é um ponto verde perdido no golfo da Guiné, forrada de árvores tropicais e uma humidade que se agarra a nós como uma segunda pele, protegendo-nos. As praias de areia branca na sua maioria desertas, cobertas por coqueiros e de água azul celeste definem o delinear da ilha. As casas são na sua maioria em madeira sobre estacas ( palafitas ), onde a chapa começa a predominar. As casas coloniais junto ao alcatrão falam-nos da presença dos Portugueses, bem como, as roças com as suas sanzalas que apesar do tempo nos fazem entender porque São Tomé foi um dia o maior exportador de cacau. As crianças são mais que muitas e pedem-nos doces com os seus enormes sorrisos cada vez que paramos para contemplar a paisagem. Se te pedirem uma foto, não te inibas de lhes mostrar. Podes percorrer as ruas descontraído e falar com as pessoas, poucas se recusarão a falar e o mais difícil mesmo vai ser seguir viagem e abandonar essa experiência, através da qual se conhece o espírito de quem aqui mora. Perde tempo a conversar ou a partilhar ideias e afectos. O Povo São-Tomense sabe receber-te como ninguém. 

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